COMO PREVENIR E DIAGNOSTICAR O GLAUCOMA?

A Rodrigues Figueiredo, MD

Oftalmologista Consultor. Coordenador de Glaucoma da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

A principal causa e fator de risco é a hipertensão ocular.

Tensão ocular elevada , não detetada e não controlada, vai conduzir com o tempo ao aparecimento da doença .

Existem outros fatores de risco : a idade e a existência de familiares diretos com glaucoma (existem vários fatores geneticamente transmitidos já identificados), são os mais importantes.

Recordamos  duas características importantes da doença: é progressiva, isto é, tem uma natural tendência para agravamento; é irreversível, ou seja, as perdas que causa não são recuperáveis.

Portanto, é fundamental a deteção precoce.

A oftalmologia possui métodos clínicos e exames complementares sofisticados que permitem detetar a doença muito antes de ela dar sintomas, prevenindo com tratamento adequado, a sua progressão.

O diagnóstico é feito por um conjunto de exames, mas deve começar, obviamente, pela medição da tensão ocular.

O estudo clínico adequado do perfil tensional do doente, e não apenas de valores esporádicos aleatórios, num único dia, num único momento, é fundamental.

A hipertensão ocular é o principal fator de risco do glaucoma, e simultaneamente, o único que podemos tratar e que conduz ao controle da doença – inúmeros estudos e evidência o comprovam.

Como tal, é muito importante dar ao estudo das características da tensão ocular a importância que estes factos lhe conferem, tentando, o melhor possível ,avaliar picos tensionais e flutuação, preferencialmente ao longo das 24 horas.

Insistimos,  a  deteção precoce é fundamental - a oftalmologia possui métodos clínicos e exames complementares sofisticados que permitem detetar a doença muito antes de ela dar sintomas, prevenindo com tratamento adequado, a sua progressão.

Avaliar a existência de progressão é fundamental: idealmente, um doente com glaucoma deve fazer 3 campos visuais iniciais nos primeiros 12 meses após diagnóstico, seguidos de exames semestrais.

Este estudo funcional deve ser complementado por estudo estrutural pelo menos no diagnóstico e fases iniciais, idealmente por OCT, sigla para tomografia óptica coerente (fig 1)

Trata-se de um método muito sensível de diagnóstico precoce, pois analisa imagens do nervo óptico e células nervosas ao estilo da TAC ou Ressonancia Magnética.

Quando necessário, efectuamos avaliação da morfologia e inserção da íris  e corpo ciliar por biomicroscopia ultrassónica ( UBM). 

Os doentes com glaucoma devem pois, colaborar neste esforço, executando os exames periódicos adequados, e acima de tudo, o mais importante: cumprir o tratamento.

É compreensível que seja problemático aceitar o transtorno de colocar gotas nos olhos, quando não existem queixas aparentes.

Como se costuma dizer, nas fases iniciais o doente tem mais queixas do tratamento do que da doença… convencer os doentes da gravidade da doença, no período assintomático, é por vezes uma tarefa difícil.

 

Fig 1. OCT - Tomografia Óptica Coerente